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Clássicas de primavera

A temporada das clássicas começa agora. Você conhece esse tipo de prova?


O começo de temporada na Europa é sempre marcado pelas Clássicas de primavera. Já ouviu falar delas?

 O inverno Europeu é bem rigoroso, então quando chega a primavera - que pra eles é no começo do ano - começa a temporada de ciclismo. Aquela ansiedade dos fãs e dos atletas pra saber como vai ser o ano aumenta a popularidade dessas provas.

Ultimamente, essa pausa de fim de ano até diminuiu um pouco, em função das corridas na Austrália e no Oriente Médio: Tour Down Under, Dubai, Omã, que aproveitam o clima ameno por lá, enquanto a Europa ainda está gelada. Essas provas funcionam como testes de início de temporada, que dão uma dica de como estão as equipes e os atletas.

Mas a temporada começa de verdade em Março, com as provas europeias, que são as mais antigas do ciclismo. Pra se ter uma ideia, algumas têm mais de 120 anos! E essa tradição centenária tem uma importância muito grande. O peso de um bom resultado numa clássica é quase o mesmo que num campeonato mundial ou numa grande volta, embora o tipo de corrida seja bem diferente.

Tipo de corrida

Uma clássica é uma corrida de um dia só, geralmente ligando uma cidade a outra ou fazendo um bate-volta. É sempre uma corrida longa e extenuante, tanto pela dificuldade do percurso quanto pelo ritmo absurdo que o pelotão costuma fazer. É comum ver médias de quase 50km/h em provas de mais de 250km!

O fato de ser uma corrida isolada deixa todo mundo em pé de igualdade porque ninguém precisa se poupar pro dia seguinte. As fugas são certas e todo mundo anda no limite o tempo todo. E como sempre tem algum trecho técnico ou aquela subida curta e muito inclinada, a chance do pelotão se quebrar em vários grupos é bem grande.

Diferente de uma corrida por etapas, uma clássica é totalmente imprevisível. O jogo de equipe e as estratégias são menos importantes do que a garra do atleta, aí aparecem os talentos individuais.

O piso é outro obstáculo: algumas dessas clássicas passam por trechos sem asfalto e, nessa época do ano, é comum chover. Na terra ou nos paralelepípedos, parece um cenário de guerra: o pelotão levanta a poeira ou a lama, os tombos e os problemas mecânicos são constantes. Isso deixa a corrida muito emocionante porque, embora sempre tem os favoritos, ninguém sabe o que vai acontecer. De vez em quando, até o trem interfere na corrida!

Monumentos do ciclismo

Os chamados MONUMENTOS do ciclismo são as 5 corridas mais importantes do ano. E 4 delas são Clássicas de primavera. A única exceção é o Giro di Lombardia, que acontece em Outubro.

Strade Bianche

A caçula das provas desse tipo tem só 10 anos de existência, mas já tem muita importância no calendário. Ela também é diferente das outras porque fez o caminho inverso: nasceu como uma prova de amadores e acabou virando uma prova profissional. É curta pros padrões de clássicas: são 184km, com mais de 52km de cascalho. O nome vem justamente do tipo de piso: aquela terra clara que levanta uma poeira ou barro. A ESTRADA BRANCA, em italiano.

Milan - San-Remo

A mais longa das Clássicas tem 291km, mas a altimetria tem pouca subida e a média fica sempre acima dos 40km/h. Acontece desde 1907 e mal parou nos anos das guerras, só cancelaram 3 edições até hoje! O Eddy Merckx venceu 7 vezes essa prova, que é um recorde para todas as clássicas. Por ser asfaltada e mais plana, é a que dá mais chances para os velocistas. Por isso o alemão Erik Zabel venceu 4 edições e chegou em segundo duas vezes. Em 2017, foi lá aquela famosa chegada que o Kwiatkowski ganhou e o Sagan quase caiu com ele.

Gent-Wevelgem

Também com um perfil bastante plano, a Gent-Wevelgem é uma prova rápida. A edição 2017 teve média de 44km/h. O nome esquisito é das cidades de início e fim, mas o percurso já mudou várias vezes e não começa mais em Gent. Tem trechos muito pequenos de paralelepípedos, então não é um fator decisivo.

Tour des Flandres

Uma das mais famosas, o Tour des Flandres começou em 1913 e é outro dos MONUMENTOS do ciclismo. Perto do final da prova, tem trechos de paralelepípedo com mais de 22% de inclinação, pra arrebentar a perna de qualquer um, mesmo um profissional. E se estiver chovendo, o que é bem comum, certeza que eles vão ter que descer pra empurrar. Foi nessa prova que o Sagan caiu e veio toda aquela investigação que provou que ele se enroscou na blusa de um espectador que estava pendurada na grade.

Paris-Roubaix

A clássica das clássicas! Paris-Roubaix é uma das provas mais importantes do ciclismo mundial, conhecida como “o inferno do norte”, tanto que tem até modelo de bike desenvolvida em função dela. Existe desde 1896, tem noção?! Século 19!!! São 29 trechos de paralelepípedos, totalizando 55km do chamado “pavé”. Praticamente uma tortura, os caras estão o tempo todo tomando pancada do chão e procurando um pedaço mais liso de estrada, às vezes até fora dela, o que sempre traz o risco de acidente. Se estiver seco, tem poeira e, se chover, tem lama, então todo mundo termina da mesma cor, é até difícil saber quem é quem. A chegada tradicional com duas voltas no velódromo ainda pode trazer uma emoção a mais quando chega um grupo na disputa do sprint.

Amstel Gold Race

A Amstel Gold Race existe desde 1966 e é a única dessa lista que acontece na Holanda. Claro que não dá pra esperar grandes escaladas nos países baixos, mas a quantidade impressiona: são 35 subidas nos 260km do percurso.

Liège-Bastogne-Liège

A vovó das clássicas! A prova acontece desde 92! Mas não é 1992, é mil OITOCENTOS e noventa e dois! É um bate-volta de 258km entre estas duas cidades no nome dela, mas o que traz a dificuldade mesmo é a sequência de escaladas curtas, com 10, 11, 12% que desmontam qualquer pelotão.

Flèche Wallone

A Flèche Wallone é outra que larga em Liège, na Bélgica. O interessante dessa prova é que depois de 140km, os atletas entram num circuito e passam três vezes pelo famoso “Mur de Huy”, que, como o nome diz, é praticamente um muro que chega a 26% de inclinação e muda toda a história da prova em apenas 1.300 metros.

Perfil de atleta

É muito legal acompanhar uma clássica porque ali você vê os ciclistas como atletas individuais. Até existe a tática de equipe e tal, mas tanta coisa acontece durante a prova que eles acabam tendo liberdade pra atacar e prevalece o cara mais casca grossa e que se vira sozinho.

O tipo de atleta que mais se dá bem nessas provas são aqueles que se defendem bem na subida e têm um passo forte no plano. E com todos esses ingredientes de piso, lama, etc... a habilidade conta muito.

Apesar de não ter muito ganho altimétrico, nem sempre um sprinter puro tem chance, porque mesmo quando o pelotão chega compacto no fim da prova, aqueles caras com mais explosão ou não estão no grupo ou já estão destruídos.
Os escaladores também não têm muito sucesso porque não tem montanha longa pra eles abrirem vantagem do pelotão.

Os favoritos

Alguns atletas da geração atual que sempre são favoritos nas clássicas: Peter Sagan (lógico!), Philippe Gilbert, Niki Terpstra, Greg Van Avermaet, Michal Kwiatkowski. E, apesar de aposentados recentemente, é legal citar o Fabian Cancellara e o Tom Boonen (recordista da Paris-Roubaix, com 4 vitórias).

Não por acaso, vários são belgas, como o maior de todos os tempos: Eddy Merckx. Além de serem muito presentes no pelotão profissional, a maioria dessas provas acontece na Bélgica.